Muitas pessoas me perguntam: porque você só gosta de homem tosco? E eu sempre tento explicar, antes de responder, o conceito básico de homem tosco. Para que elas entendam perfeitamente o termo, para que não restem dúvidas sobre esse meu ponto de vista, para que pelo menos elas respeitem minhas escolhas.
Mesmo com todo o meu poder de síntese, persuasão e minha clareza na exposição de ideias, muita gente ainda acha que sou estranha e tenho um gosto por homens ainda mais bizarro. Geralmente, ainda me olham torto quando suspiro biblicamente pelo Buckowski (tá, aqui existe um certo exagero pois não viveria com ele nem dois dias), Tank Abbot, Benício Del Toro ou o guitarrista do Blind Pigs,
Sr. Cristian Targa (motivo inclusive da minha groupiezisse por uma noite). Infelizmente, o perfil físico dos caras que chamo toscos passa por um mesmo enquadramento, coincidem na altura, na avantajada circunferência abdominal e no desleixo em fazer a barba, o que gera uma certa confusão e provoca gritinhos de nojo nas minhas amigas. Mas em mim, desperta um interesse automático... eu diria biológico. Porque as mulheres também buscam sinais que gritam de lá do fundo de seus instintos de cozinheiras das cavernas. É por isso que, quando vejo um cara alto, grande, tranquilo, com atitude, bem resolvido e independente, me dá uma vontade indisfarçável de aprender a fazer um javali com mel na pedra pra ele na hora.
Sempre desconfiei de homem sem barriga. Homem sem barriga tem o ego morando onde? (já que o cérebro não ocupa mesmo muito espaço). É de se pensar. Rosto lisinho, macio e cheiroso eu admiro em bebês e mulheres, mas que não encoste-se à minha nuca um homem de queixo liso. Cabelo bem cortado? Roupa combinando? Óculos coloridos? Respeito e admiro a classe de homens que fazem uso destes adereços e os acho muito machos, pois assumem sem viadagem nenhuma suas opções sexuais. Tenho até algumas táticas, adquiridas em anos de observação e teste degustativos, que apagam ou acendem um cara na multidão. Camiseta passadinha com dobra no ombro e cheiro de Confort é dos meus sinais preferidos pois elimina o gajo na hora e não nos deixa perder nem um minuto do nosso tempo. Já perguntar o preço do Confort acende um cara facilmente, embora eu deva sublinhar aqui o índice que sabe a resposta: 68,75%, onde 68% são os fantásticos gays que cuidam da casa e das tarefas domésticas de um jeito ímpar e muito, muito, muito macho.
Agora, que culpa tenho eu se esses sinais acabam formando pra mim um perfil ogrístico que me mostra por vezes preconceituosa e intolerante? Se automaticamente descarto os fresquinhos, arrumadinhos, simpatiquinhos e preocupadinhos demais com o que os outros pensam? Esse tipo de homem me atrai pelo cordão umbilical, atrai meu instinto maternal e como já resolvi bem minhas fases anais, orais e banais, vejo todos eles como amiguinhos. Já, se aparece na minha frente um cara falando alto o que pensa, carregando a sacola pra mulher, mandando o amigo tomar no cu quando ele vem com aquela de "aaaah, agora vc faz feira pra ela, larga isso vamos beber", metendo a mão na massa (seja a massa que for), com fome de comer (seja o que for), pronto, eu fico submissa. E achar um homem que me faz ficar confortavelmente submissa é deveras complicado. De 10 homens com o perfil ideal, 9 estão disfarçados de toscos mas são na verdades os filhinhos das mamães que trabalhavam fora e foram criados com a dieta da culpa de estar longe deles, o que resume tudo em sevenboys, danoninho e pêra morna. Esses não comem coisas com pedaço, manteiga, cebola, nata de leite... não lambem o prato, não chupam os dedos com a costelinha pingando... Não te comem com aquela volúpia inexplicável mas com um carinho fofo. Homem com nojinho me deixa enojada.
Existem ainda os sensíveizinhos disfarçados de toscos. Estes tem todos os ítens de série que me fariam dar uma volta mas quando a gente olha mais de perto, tá lá: o banco é de couro. Finge de macho e deus sabe o quanto isso custa pra eles. Tem medo de mulher. Tração nas quatro rodas desperdiçada em egocentrismos, na necessidade de falar de si, em comer uma mulher como uma opção diferente de masturbação, como uma punheta sem as mãos enquanto vê TV. Estes são mais raros e tendem a virar amigos de falar palavrão... ou nem isso.
Enfim, a dificuldade em explicar o que a tosquidão de um homem abrange em termos práticos e no que ela afeta diretamente o desejo das mulheres parece não ser só dificuldade minha.
Mr. Kenji googlereaderô
um post do papodehomem que me fez chegar mais perto ainda do meu próprio conceito.
O texto é uma mistura de tapa na cara com 'ensaio raro sobre temas que não devem ser falados'. É um primor tão grande que mudou o curso da minha manhã e tive que vir escrever aqui correndo, nestes 30 minutos antes do meu almoço, o que agora pra mim representa um homem tosco.
E fez mais, fez eu quase resumir tudo em uma só prosa: homem tosco é homem que não foi e não é mimado, independente da estatura, do peso, da forma como se barbeia. Homem tosco largou a casa da mãe de dentro pra fora e não de fora pra dentro e, na vida adulta, trata a mulher com a delicadeza que não aparece na palma das suas mãos, é homem que amolece uma mulher ao respeitá-la em sua batalha, em sua dor, em sua diferença gritante. Homem tosco troca aquela expressão batida de "não entendo mulher" pra "adoro essa imensidão da mulher" e não tem vergonha de ter também sua dor, de pedir um colo quando tudo estiver dureza e ficar pequenininho de vez em quando. Homem tosco é aquele cara que vai muito além do diâmetro do seu pau pra chegar ao tamanho da sua alma, essa que, quando realmente grande, pode provocar na mulher o orgasmo de toda uma existência.